Na hora de escolher uma profissão, alguns fatores se destacam. As oportunidades e a estabilidade que aquela carreira proporcionará, assim como a sua importância para as pessoas e os trabalhos que vão solucionar necessidades da sociedade são alguns deles. Por isso, a Engenharia Mecânica é considerada uma área chave para a indústria.

Em constante transformação para inovar e ser parte das grandes movimentações globais, a área é uma das mais envolvidas no desenvolvimento da eletromobilidade. Até 2026, é esperada uma frota com mais de 100 milhões de veículos elétricos no mundo, com metade dos ônibus eletrificados. Em 2040, o crescimento pode chegar até a 700 milhões, segundo dados da última pesquisa anual Long-Term Electric Vehicle Outlook (EVO), que mostra ainda que a eletrificação está se espalhando rapidamente.

Como mostra o projeto Paraná 2040? Rotas Estratégicas dos Ecossistemas Regionais de Ciência, Tecnologia & Inovação, lançado pelo Observatório Sistema Fiep e o Governo do Estado, os novos negócios em mobilidade estão entre as principais oportunidades para a região metropolitana de Curitiba. É nesse cenário de desafios inovadores e muitas chances de desenvolvimento e ascensão que a graduação em Engenharia Mecânica ganha ainda mais centralidade no mercado.

Esses profissionais são responsáveis pela elaboração e desenvolvimento de projetos de diversas áreas de criação de máquinas e equipamentos. "Sua importância na indústria está na tomada de decisões, no monitoramento das soluções e as ações contínuas, que estão envolvidas no dia a dia dos processos industriais", explica o professor Rodolfo Hildebrandt, que é coordenador da graduação em Engenharia Mecânica e dos programas de Pós-Graduação em Gerenciamento de Projetos e Manufatura Enxuta e Produção e Manufatura Avançada do Centro Universitário UniSenai Paraná.

O especialista pontua que as principais frentes de atuação são nas áreas metalúrgica, automobilística, alimentícia, aeronáutica e civil. Neste momento, em que a Indústria 4.0 e seus pilares como simulação e uso de automação são centrais, as empresas demandam profissionais qualificados e atualizados e, por isso, tanto a graduação quanto os cursos de qualificação e de pós-graduação relacionados são importantes diferenciais.

Há 20 anos no mercado, Diego Barbieri, supervisor da Engenharia Industrial e Desenvolvimento de fornecedores na Elevadores Atlas Schindler, comenta que a importância dessa área para a indústria vai além de cálculos, raciocínio lógico e analítico. "É um dos motores propulsores das empresas em quase todos os segmentos. A indústria tem valorizado cada vez mais a Engenharia Mecânica devido à sua capacidade de projetar, desenvolver, otimizar e manter sistemas mecânicos com níveis elevados de eficiência, que é a chave para todos os negócios", pontua.

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Quem ingressa no curso sente a diferença em relação a como é visto pelo mercado. É o caso de Celso Silva, que trabalha na área metalúrgica há 23 anos e sempre teve vontade de fazer graduação. "Percebi que com o curso têm me aparecido oportunidades de cargos melhores. Depois que atualizei meu status no Linkedln, informando que estou cursando Engenharia Mecânica na UniSenai, algumas empresas já entraram em contato. Além disso, noto que minha visão sobre o mercado de trabalho mudou e mudaram as expectativas do mercado em relação a mim, como profissional. Minha expectativa é trabalhar como engenheiro mecânico, trazendo qualidade e inovação, com foco em sustentabilidade e preservação do nosso ecossistema", compartilha o futuro engenheiro.


Oportunidade para atuar com eletromobilidade

Veículos elétricos (VEs) e baterias são agora uma parte central da política industrial de vários países. Tendência do mercado automotivo e da pauta sustentável, a eletro mobilidade, que é o sistema composto por veículos híbridos e elétricos, bem como por infraestruturas e tecnologias que ofertam suporte a deslocamentos nos territórios a partir de meios de combustão alternativos, representa uma mudança significativa na indústria e a Engenharia Mecânica desempenha um papel fundamental nessa transformação.

Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil ultrapassou a marca de 150 mil veículos elétricos em circulação em maio de 2023. No primeiro semestre deste ano, foram vendidas mais de 26 mil unidades, um aumento de 59% em relação ao mesmo período de 2022.

Esses veículos são fundamentais para a redução das emissões de combustíveis fósseis, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas. Ao substituir os motores de combustão interna pelos elétricos, eliminam as emissões diretas desses gases durante a condução. Além disso, quando combinados com a utilização de fontes de energia renovável para carregar suas baterias, colaboram com a descarbonização e estão alinhados às propostas do Mercado de Carbono.

São exatamente os profissionais da Engenharia Mecânica os responsáveis por projetar e desenvolver sistemas de propulsão elétrica, baterias de alta eficiência, de recarga e de gerenciamento de energia. Também lidam com desafios técnicos, como otimização de eficiência, redução de peso e melhoria da aerodinâmica dos veículos elétricos.

Para tornar os VEs mais inseridos na realidade das pessoas, sustentáveis e eficientes, o professor Rodolfo Hildebrandt explica que a adaptação à formação dos estudantes acontece com o uso das tecnologias atuais, em conjunto, seguindo as tendências mundiais. "A formação dos engenheiros tem uma constante adequação com a grade curricular, garantindo, assim, a formação e o perfil do profissional desejado para o mercado de trabalho atual".


Perspectivas de salário e demanda das áreas

Com a evolução da tecnologia em vários setores e a ampliação do uso de equipamentos para otimizar tempo e processos de fabricação, crescem as oportunidades e protagonismo na indústria para profissionais formados em Engenharia Mecânica.

No Paraná, o coordenador do curso destaca os segmentos alimentício, metalúrgico e farmacêutico como grandes recrutadores. Ao avaliar o cenário nacional, acrescenta o aeronáutico e diversas montadoras, além dos já citados em nível estadual.

Segundo o Site Nacional de Empregos, o salário médio desse profissional é R$ 7.629,50, mas há muitas variações, de acordo com localidade, porte da empresa e segmento. Em uma grande empresa, por exemplo, a remuneração inicial é, em média, R$ 6.153,42 e a de nível máster é de R$ 15.022,99.


A prática da indústria na faculdade

No curso de Engenharia Mecânica do UniSenai Paraná, todos podem aprender e se desenvolver com práticas focadas no êxito. Na instituição, são trabalhadas as competências e habilidades necessárias para o aprendizado, com ênfase no desenvolvimento de projetos práticos e direcionados à resolução dos problemas da indústria. "Proporcionamos que todos os estudantes concluam o curso com o perfil do profissional esperado para o mercado de trabalho", explica o coordenador e professor Rodolfo.

Há alguns diferenciais na aprendizagem em relação a outros cursos, a partir da própria mediação e contato que os estudantes têm com a realidade do mercado. "Temos projetos ligados a situações-problemas das indústrias, e com o corpo docente composto por mais de 80% com atuação na indústria", reforça.

Em relação aos perfis desses alunos, grande parte é de egressos do Ensino Médio, mas há também muitas pessoas que já fizeram cursos técnicos, resolveram mudar de profissão ou agregar mais conhecimentos à sua área de atuação.

Alefe Santos é um exemplo de profissional que já atuava na área e fez vários cursos no Senai, como o tecnólogo em Fabricação Mecânica, mas tinha a Engenharia Mecânica como um sonho de criança. Agora realidade, ele concilia

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